Joaquim José Rodrigues Torres: O Visconde de Itaboraí ( Diário do Leste )
Joaquim José Rodrigues Torres: O Visconde de Itaboraí ( Diário do Leste )
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Pelo Diário do Leste - Diário Oficial do Municipio de Itaborai
O itaboraiense de maior influência na história brasileira foi, sem dúvida, Joaquim José Rodrigues Torres, o Visconde de Itaboraí, que nasceu em 13 de dezembro de 1802, portanto, há 202 anos, em Porto das Caixas. A lista de funções públicas de primeiro escalão que exerceu é tão extensa, que merece um quadro à parte, mas vale destacar o fato de que foi senador, deputado geral, presidente da província do Rio de Janeiro (equivalente ao cargo de governador), ministro e presidente do Conselho de Ministros, além de presidente e reestruturador do Banco do Brasil.
Segundo dados biográficos constantes do site do Museu Imperial, que detém uma coleção de 46 documentos originais do Visconde de Itaboraí, doadas pelo bisneto John Raphael Shalders, Joaquim José Rodrigues Torres estudou na Universidade de Coimbra, na Faculdade de Matemática (1821-1825) onde obteve o grau de bacharel em Ciências da Matemática. Voltando ao Rio de Janeiro, em 1826, foi nomeado lente substituto da Academia Militar, cargo que ocupou até 1833; entremeando esse período, em 1827, viajou para a Europa, com o objetivo de aprofundar seus estudos, permanecendo dois anos em Paris.
Em 1831, voltou da Europa, iniciando suas participações em diversas gazetas; atribui-se especial relevância para a sua colaboração no periódico O Independente que circulou de 1831 a 1833. No mesmo ano, iniciou sua carreira política, ocupando a pasta da Marinha no 1º Gabinete da Regência Trina Permanente, posição que ocupou por outras quatro vezes: de 7 de novembro de 1832 a 30 de junho de 1834; de 19 de setembro de 1837 a 16 de abril de 1839; de 23 de maio de 1840 a 24 de julho de 1840 e de 20 de janeiro de 1843 a 2 de fevereiro de 1844.
Por três vezes ocupou a pasta de Secretário e Ministro dos Negócios da Fazenda; pela primeira vez, em 1831, como substituto de Bernardo Pereira de Vasconcelos e, mais tarde, de 1848 a 1853 e de 1868 a 1870. Nesse ínterim, ocupou também outros cargos de grande relevância, como o de primeiro presidente da província do Rio de Janeiro, de 11 de maio de 1852 a 6 de setembro de 1853 e de 16 de julho de 1868 a 29 de setembro de 1870.
Também foi eleito deputado pela província do Rio de Janeiro na 3ª, 4ª e 5ª legislaturas (1834-1844), sendo nomeado senador do Império, pela mesma província, no último ano. Em 1853, ingressou no Conselho de Estado, sendo-lhe concedido, por decreto, em 2 de dezembro de 1854, o título de visconde de Itaboraí, com honras de grandeza.
Atuou como primeiro presidente do Conselho Inspetor e Fiscal da primeira Caixa Econômica da Corte (1859 e 1860) e, por duas vezes, foi nomeado presidente do Banco do Brasil (1855 e 1859). Ocupou também o cargo de presidente do Conselho Fiscal do Imperial Instituto Fluminense de Agricultura.
Obteve, durante a sua carreira, as condecorações da Imperial Ordem do Cruzeiro, da Grã-Cruz da Ordem de Carlos III da Espanha; foi sócio do Instituo Histórico e Geográfico Brasileiro a partir de 1839; sócio honorário do Instituo Histórico da Bahia a partir de 1858 e sócio do Instituo Politécnico Brasileiro a partir de 1869.
Foi um dos principais líderes do Partido Conservador e um dos expoentes da chamada "Trindade Saquarema" — formada por membros de famílias abastadas da elite fluminense — que deu apoio e sustentação à consolidação da centralização política do Segundo Reinado em torno da figura do imperador Pedro II e do Poder Moderador.
A CRÔNICA
DA ÉPOCA
Em seu tempo, Joaquim José Rodrigues Torres era considerado um dos homens mais poderosos do império. Um dos cronistas da época, Sébastien Auguste Sisson, que escreveu a obra Galeria dos Brasileiros Ilustres quando o Visconde ainda vivia, apresenta o político e estadista itaboraiense como um homem de ideias claras, chamado para missões espinhosas no período da Regência e eleito por sua popularidade. Abaixo, um trecho do texto de S. A. Sisson sobre o Visconde de Itaboraí:
“(...) A habilidade com que por sua parte concorreu para que o governo do país se sustentasse firme no posto que a maioria da nação lhe havia confiado o fez ainda mais estimado e tornou-o muito popular, especialmente na província do Rio de Janeiro, da qual teve em 1833 a honrosa missão de representá-la na Câmara dos Deputados. Foi a primeira vez que o Sr. Rodrigues Torres se apresentou na tribuna dos representantes do país, mas já antes disto todo ele conhecia os talentos oratórios do novo deputado, que como ministro mais de uma vez tinha levantado a voz no seio de ambas as câmaras.
Como deputado o Sr. Rodrigues Torres distinguiu-se menos por orador eloqüente, que o não é, do que por argumentador fino e consumado. Enuncia facilmente suas ideias, sua linguagem é precisa e limada e seus argumentos de uma lógica cerrada, dificílima de desfazer. É um desses homens que convence, mas que não comove, que sabe falar à razão, mas que ignora os meios de tocar o coração.
Por todas estas qualidades ele ocupou logo na Câmara uma posição eminente, e abraçando as ideias saquaremas tornou-se um dos mais eminentes dentre seus chefes.
Esta influência que ele exerceu como deputado, que continuou sempre a ter até 1844, estendeu-se além deste ano em que foi ele eleito senador pela província do Rio de Janeiro, e só a conciliação emanada do trono e executada pelo Gabinete Paraná pôde, fazendo desaparecer a divisão política, fazer também desaparecer de um e de outro lado aqueles indivíduos que mais se elevam acimados dos outros em cujo número está o Sr. Torres.
Em 1837 o regente Feijó quis aproveitar-se de sua prática adquirida no Ministério da Marinha, nomeando-o para aquela pasta.
Em 1840 foi o Sr. Torres deslocado de sua repartição favorita, sendo chamado a ocupar a pasta do Império e interinamente e da Marinha, muito tempo porém não durou neste ministério, e, quando em 1843 o Sr. D. Pedro II o chamou outra vez ao ministério, voltou já pela quarta vez a dirigir os negócios tão atrasados da repartição da Marinha.
Este ministério deixou ele para subir novamente ao poder em 1849 como ministro dos Negócios da Fazenda, que continuou a ser até 1853, em que caiu aquele Ministério, justa ou injustamente acusado de ter muito durado e pouco feito pelo país.
Por sua parte o Sr. Itaboraí prestou ao Brasil um serviço importantíssimo fazendo passar nas câmaras o projeto de criação do Banco do Brasil, de que veio ser presidente, pelo falecimento do conselheiro Lisboa Serra. Em 1841 teve o título do conselho e a condecoração de Oficial da Ordem Imperial do Cruzeiro, e em setembro de 1853 foi nomeado conselheiro de Estado.
No dia 2 de dezembro de 1854 S. M. Imperial o Sr. D. Pedro II concedeu-lhe o título que hoje tem de visconde de Itaboraí.”
NO MUSEU
IMPERIAL
A Coleção Visconde de Itaboraí é composta de 46 documentos originais e 3 fotocópias que foram doadas ao Museu Imperial por seu bisneto, John Raphael Shalders, em 4 de outubro de 1984, por intermédio de Carlos Otávio Lúcio Cabral de Andrade. Todos os documentos desta coleção encontram-se sob a guarda do Arquivo Histórico do Museu Imperial e estão subdivididos em 32 dossiês. Tais documentos compreendem o período de 1824 a 1886 e tratam da trajetória política de Joaquim José Rodrigues Torres, o visconde de Itaboraí.
POLÍTICA E
ADMINISTRAÇÃO
O site do Senado Federal cita os seguintes cargos públicos na carreira do Visconde de Itaboraí: presidente do Banco do Brasil, ministro da Marinha do Primeiro Gabinete da Regência Trina Permanente, ministro da Fazenda do Vigésimo Terceiro Gabinete do Segundo Império, presidente do Conselho de Ministro do Vigésimo Terceiro Gabinete do II Império, ministro do Império do Vigésimo Segundo Gabinete do II Império, ministro da Fazenda do II Gabinete do II Império, presidente do Conselho de Ministro do II Gabinete do II Império, ministro da Fazenda do Décimo Gabinete do II Império – Interino, ministro da Marinha do Terceiro Gabinete do II Império, ministro da Marinha do Terceiro Gabinete do II Império, ministro da Marinha do Terceiro Gabinete do II Império, ministro do Império do Quarto Gabinete da Regência Trina Araújo Lima, ministro da Marinha do Quarto Gabinete da Regência Araújo Lima, ministro da Guerra do Primeiro Gabinete da Regência Araújo Lima, ministro da Marinha da Regência Araújo Lima, ministro da Marinha do Terceiro Gabinete da Regência Trina Permanente, ministro da Fazenda do Primeiro Gabinete da Regência Trina Permanente e Conselheiro do Estado.
Seus mandatos eletivos também foram vários e são citados também pelo Senado Federal: deputado geral (1834 a 1837), presidente de Província (1830 a 1836), deputado Geral (1838 a 1841 e no ano de 1843), senador de 1844 a 1872, o que equivaleria, à época, a dez mandatos consecutivos.
As homenagens prestadas ao Visconde de Itaboraí incluem a condição de Oficial da Ordem do Cruzeiro e a Grã-Cruz da Ordem Espanhola de Carlos III, além de seu próprio título de nobreza.
O Senado também lista dois trabalhos publicados por ele: Ensaio Sobre Direito Administrativo, Rio de Janeiro, 1862, 2 volumes, e Proposta e Relatório apresentado à Assembléia Geral na Segunda Sessão da Décima Quarta Legislatura pelo Ministro-Secretário de Estado dos Negócios da Fazenda. Rio de Janeiro, 1870.