Garcia d'Ávila / Francisco Dias d'Ávila / Casa da Torre

Garcia d'Ávila / Francisco Dias d'Ávila / Casa da Torre

Gitampo Pinaagi Ni

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Garcia de Sousa d'Ávila (São Pedro de Rates, 1528 – Salvador, 20 de maio de 1609) foi filho de Tomé de Sousa e fundador do maior latifúndio das Américas, a Casa da Torre.

Biografia

Serviu na Índia e chegou à Bahia em 29 de março de 1549, com seu pai, Tomé de Sousa, primeiro governador geral do Brasil, sendo nomeado, no dia 1 de junho, "feitor e almoxarife da Cidade do Salvador e da Alfândega".

Era um cargo sem ordenado, arriscando-se a viver dos azares do negócio, tendo apenas "os prós e precalços que lhes diretamente pertencerem".

Como os soldos e serviços eram pagos geralmente em mercadorias e muito raramente em dinheiro, Garcia D'Ávila recebeu, em 15 de junho, seu primeiro pagamento - duas vacas, por 4$ -, assim começando sua longa jornada de sucesso.

Trabalhou com esforço austero e inexcedível energia durante a construção de Salvador e instalou-se inicialmente em Itapagipe, depois em Itapoã, vindo a se tornar o primeiro Bandeirante do Norte.

Garcia d'Ávila nunca se identificou como filho de Tomé de Sousa porque a lei portuguesa proibia que capitães-mores e governadores doassem sesmarias a seus familiares.

Sobre Garcia d'Ávila, o padre Manuel da Nóbrega escreveu:

"parecendo-me ainda estar Tomé de Sousa nesta terra".

Garcia era um nome comum na família de Tomé de Sousa, por sua vez filho de João de Sousa, abade de Rates, e descendente de Martim Afonso Chichorro e do rei Afonso III de Portugal.

Tomé de Sousa doou a Garcia d'Ávila catorze léguas de terras de sesmaria que lhe haviam sido outorgadas pelo rei Dom Sebastião.

Estas terras iam de Itapoã até o Rio Real e Tatuapara, pequeno porto cinqüenta metros sobre o nível do mar.

Foi lá que Garcia d’Ávila, após ter vencido as tribos indígenas existentes ao norte de Salvador, ergueu sua Casa da Torre em 1550.

Casa da Torre

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Coordenadas: 12º 34' 47" S 038º 01' 46" W

A Casa da Torre de Garcia d'Ávila,

Castelo de Garcia d'Ávila,

Torre de Garcia d'Ávila,

Forte de Garcia d'Ávila ou

Casa da Torre

é uma construção histórica localizada na praia do Forte, no município de Mata de São João, no estado da Bahia, no Brasil.

Erguida sobre uma elevação, foi, originalmente, denominada por seu proprietário como Torre Singela de São Pedro de Rates.

A Casa da Torre foi o embrião de um grande morgado no estilo feudal que se iniciou na capitania da Bahia ainda noséculo XVI e que, durante 250 anos, expandiu-se ao longo das gerações dos seus senhores pela quase totalidade da Região Nordeste do Brasil à custa de guerras contra os índios, com escravização destes para trabalharem nas plantações de cana-de-açúcar, nos engenhos de açúcar e nas criações de bois, cavalos e mulas (todos estes animais eram utilizados para transporte em pequenas distâncias e como força de tração nos engenhos).

A expansão também foi motivada pela busca por minas de prata, embora só tenham sido encontradas minas de salitre.

Constitui-se no centro de um expressivo poder militar no período colonial.

De 1798 em diante, esteve envolvido nas lutas pelaIndependência do Brasil.

Muitos dos seus membros foram agraciados com títulos de nobreza tanto por Pedro I do Brasil como por Pedro II do Brasil.

Além de seu papel de vulto no desbravamento de origem europeia do sertão nordestino e na evolução territorial do Brasil, a Casa da Torre foi pioneira na pecuária na região e está associada ao trânsito no chamado Caminho da Bahia, que abasteceu as Minas Gerais.

A Casa e a Torre

Constituía-se em uma espécie de mansão senhorial, ainda ao estilo manuelino em uso por Portugal nas suas possessões ultramarinas no início do século XVI, erguida por Garcia d'Ávila a partir de 1551 para sede dos seus domínios, cumprindo o Regimento passado por João III de Portugal (1521-1557).

GARRIDO (1940) data a sua construção entre 1563 e 1609, referindo a descrição de Gabriel Soares de Sousa (Tratado Descritivo do Brasil em 1587), como um complexo composto "(...) de moradias e defensas, capela e um baluarte vigilante onde ardiam, em circunstâncias especiais, fogos sinaleiros." (op. cit., p. 83).

Foi representada por João Teixeira Albernaz, o velho isolada sobre um montículo, como uma pequena torre ameada, com três pavimentos marcados por linhas de seteiras ("Bahia de Todos os Santos", 1612.

Livro que dá Razão do Estado do Brazil, c. 1616. Biblioteca Pública Municipal do Porto).

Em alvenaria de pedra e cal, tinha a função de vigiar o sertão por um lado, resistindo aos ataques dos indígenas revoltados e o mar pelo outro, resistindo aos corsários que então procediam razias no litoral.

A Casa da Torre tem suas origens na iniciativa de Diogo Álvares Correia, o Caramuru (c. 1475-1557), casado com Catarina Álvares, a Paraguaçu (1495-1583),

uma tupinambá batizada na França com o nome de Catarina do Brasil - o primeiro casal cristão na colônia brasileira.

A descendência de ambos, através de Diogo Álvares Dias, filho de Genebra Álvares e Vicente Dias, natural de Beja, entrelaçou-se não apenas na progênie (Isabel de Ávila) de Garcia d'Ávila com a indígena Francisca Rodrigues, como na geração de Jerônimo de Albuquerque com a filha da aldeia de Olinda, Muira-ubi - Maria do Espírito-Santo Arcoverde.

Vinculou-se, mais tarde, com os descendentes de Domingos Pires de Carvalho, casado com Maria da Silva; com a geração de Felipe Cavalcanti casado com Catarina de Albuquerque e com a descendência do casal José Pires de Carvalho - Tereza Vasconcellos Cavalcanti, de Albuquerque Deus-Dará, formando o arcabouço da aristocracia do Recôncavo Baiano.

Em 1557, já era o homem mais poderoso da Bahia.

Grande desbravador, no final do século XVI sua propriedade já era a maior do Brasil, a se estender do rio Itapucuru no norte ao rio Jacuípe no Sul.

Administrava seu latifúncio da Casa da Torre em Tatuapara, arrendando sítios a terceiros e fazendo uso de procuradores e ameríndios aculturados e libertos.

Seu herdeiro foi Francisco Dias d’Ávila Caramuru, filho de sua filha Isabel d’Ávila (tida com uma índia) e de Diogo Dias, filho de Vicente Dias e Genebra Álvares e neto de

Caramuru e Paraguaçu.

Feitos dos d'Ávilas

Trouxeram para o Brasil o gado nelore; Garcia D'Ávila ergueu a primeira construção fortificada do Brasil na atual Praia do Forte a 80 km de Salvador, Bahia, que também foi sua residência e de sua família, além de fazer as vezes de forte.

Historicamente, são os primeiros sertanistas do Brasil.

A fazenda ia de praia do forte até o Maranhão, sendo um dos maiores (senão o maior) latifúndio da história.

No contexto da segunda das invasões neerlandesas ao Brasil (1630-1654), o seu neto, Francisco Dias de Ávila Caramuru (c. 1621-1645), auxiliou na defesa, fornecendo homens e víveres:

a Casa foi utilizada como refúgio temporário por Giovanni di San Felice, conde de Bagnoli, que assumiu o comando das forças portuguesas após o desastre na batalha de Mata Redonda (janeiro de 1636) (GARRIDO, 1940:83).

Dos domínios da Casa da Torre, partiram as primeiras bandeiras sertanistas que introduziram a pecuária na região Nordeste do Brasil:

Francisco Dias de Ávila II (c. 1646-1694), na segunda metade do século XVII, após dominar os cariris, ampliou as fronteiras desse latifúndio familiar até os sertões de Pernambuco.

No século seguinte, o seu sucessor, Garcia de Ávila Pereira, atendeu solicitação do governador-geral dom Rodrigo da Costa (1702-1705) para substituir o antigo Forte da Praia, então desaparecido, e fez construir, às próprias expensas, o Forte de Tatuapara, em alvenaria de pedra e cal (Carta a Garcia d'Avila (3º) em 23 de agosto de 1704.

in: "Anais do Arquivo Público da Bahia (Vol. VI)", p. 157-158.

Documentos Históricos (Vol. XL), p. 180. apud: CALMON, 1958:150), hoje por sua vez desaparecido.

Este morgado comandava, na ocasião, um Regimento de Auxiliares composto por três Companhias, com a função de guarnecer a costa entre o rio Real e o rio Vermelho (CALMON, 1958:130).

De acordo com GARRIDO (1940), a sua artilharia teria sido completada em torno de 1710-1711 (op. cit., p. 83).

Com a morte de Garcia de Ávila Pereira de Aragão em 1805, na ausência de herdeiros o morgadio da Torre passou para os Pires de Carvalho e Albuquerque (SOUSA, 1983:111).

Francisco Dias d'Ávila

Colonizador baiano

Biografia de Francisco Dias d'Ávila:

Francisco Dias d'Ávila, herdeiro da família que chegou à Bahia com Tomé de Souza.

Seus domínios margeavam o rio São Francisco, estendendo-se para o norte pelos sertões de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí.

Francisco Dias d'Ávila nasceu na Bahia, herdeiro de uma família que chegou ao Brasil com Tomé de Sousa.

Filho de Diogo Dias e Isabel d'Ávila.

Neto do português Garcia d'Ávilla.

A família com a proteção de Tomé de Sousa, Governador Geral do Brasil, iniciou a criação de gado na península de Itapagipe, dirigindo-se em seguida para o litoral norte da Bahia, onde construiu uma casa fortificada que ficou conhecida como a Casa da Torre.

Francisco Dias d'Ávila, com o apoio das autoridades, reunia aventureiros, soldados e indígenas dominados, formando "exércitos", que marchavam pelo vale do Itapicuru, na Bahia, e suas nascentes e se dirigiam para o rio Salitre, afluente do rio São Francisco, estabelecendo fazendas em uma enorme área que compreendia terras nas duas margens do rio.

As concessões de sesmarias eram conseguidas junto ao governo de Olinda para o chamado "sertão de fora", margem esquerda do rio São Francisco, e em Salvador, para as terras do "sertão de dentro", na margem direita.

Seus domínios seguiam a margem do rio, desde a foz do Pajeú, seguindo para o norte pelos sertões da Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí, chegando a Lagoa de Paranaguá.

Para instalação das fazendas, os indígenas eram expulsos de suas terras, e o gado passava a ocupar as pastagens.

O índio não reconhecendo o direito de propriedade, caçavam não só os animais silvestre, como também os bois, cavalos bodes e porcos, dando motivo para que os fazendeiros atacassem as aldeias.

Para justificar suas ações, os fazendeiros eram acompanhados de religiosos, alegando que era para evangelizá-los.

Os relatos de frei Martinho de Nantes, capuchinho francês, trazido pelos holandeses, que chegou ao Recife em 1671, descrevem o que presenciou nas ações de Francisco Dias d'Ávila para se apoderar das terras indígenas.

O sentimento cristão e o poder de sacerdote de nada valia para impedir que as atrocidades fossem cometidas.

Na Batalha de Salitre, travada em 1676, contou a situação de desespero que ficaram os indígenas, quando derrotados, tentaram atravessar o rio São Francisco, perderam suas armas e foram vítimas de matanças cruéis.

O procedimento de Francisco Dias d'Ávila e de seus seguidores, era comandado por uma grande matança de grupos indígenas.

Um pequeno grupo era obrigado a se sedentarizar em aldeias perto das margens dos rios, onde era possível trabalhar na plantação para o próprio sustento e recrutados para atividades nos sítios e fazendas.

As Capitanias do Nordeste - Itamaracá, Paraíba, Rio Grande, Ceará e Piauí - eram dependentes da Capitania Geral de Pernambuco, até os últimos anos do século XVIII e a porção ocidental do São Francisco, denominada Comarca do Sertão, foi território de Pernambuco até 1824.

Assim, Dias d'Ávila apesar de baiano, tinha grande influência em Pernambuco.

Invasões Neerlandesas do Brasil e expansão

No contexto da segunda das invasões neerlandesas ao Brasil (1630-1654), o seu neto, Francisco Dias de Ávila Caramuru (c. 1621-1645), auxiliou na defesa, fornecendo homens e víveres:

a Casa foi utilizada como refúgio temporário por Giovanni di San Felice, conde de Bagnoli, que assumiu o comando das forças portuguesas após o desastre na batalha de Mata Redonda (janeiro de 1636) (GARRIDO, 1940:83).

Dos domínios da Casa da Torre, partiram as primeiras bandeiras sertanistas que introduziram a pecuária na região Nordeste do Brasil:

Francisco Dias de Ávila II (c. 1646-1694), na segunda metade do século XVII, após dominar os cariris, ampliou as fronteiras desse latifúndio familiar até os sertões de Pernambuco.

No século seguinte, o seu sucessor, Garcia de Ávila Pereira, atendeu solicitação do governador-geral dom Rodrigo da Costa (1702-1705) para substituir o antigo Forte da Praia, então desaparecido, e fez construir, às próprias expensas, o Forte de Tatuapara, em alvenaria de pedra e cal (Carta a Garcia d'Avila (3º) em 23 de agosto de 1704.

in: "Anais do Arquivo Público da Bahia (Vol. VI)", p. 157-158. Documentos Históricos (Vol. XL), p. 180. apud: CALMON, 1958:150), hoje por sua vez desaparecido.

Este morgado comandava, na ocasião, um Regimento de Auxiliares composto por três Companhias, com a função de guarnecer a costa entre o rio Real e o rio Vermelho (CALMON, 1958:130).

De acordo com GARRIDO (1940), a sua artilharia teria sido completada em torno de 1710-1711 (op. cit., p. 83).

Com a morte de Garcia de Ávila Pereira de Aragão em 1805, na ausência de herdeiros o morgadio da Torre passou para os Pires de Carvalho e Albuquerque (SOUSA, 1983:111).

A Guerra da Independência

No século XIX, durante a Guerra da independência do Brasil (1822-1823), serviu de base ao Exército Libertador de Cachoeira (1823), fornecendo destacamentos de cariris armados com flechas e bordunas, tendo o Império recompensado os seus morgados pelos importantes serviços prestados como abaixo:

• Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque, agraciado com o título de Visconde de Pirajá;

• Francisco Elesbão Pires de Carvalho e Albuquerque, agraciado com o título de Barão de Jaguaripe; e

• Antônio Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque, agraciado com o título de Visconde da Torre de Garcia d'Ávila.

Com os seus recursos exauridos após a Guerra e a extinção dos morgadios no Brasil a partir de 1835, a Casa da Torre foi progressivamente abandonada, transformando-se em ruínas.