Estratégia do FamilySearch para ajudar a preservar os arquivos do mundo

agosto 30, 2018  - by 

Todos os anos, o mundo perde inestimáveis registros históricos, mas há um grupo dedicado de pessoas que tentam fazer algo a respeito.

David Ouimette gerencia a equipe de Estratégia de Conteúdo Global no FamilySearch.org, a maior organização genealógica do mundo e uma empresa líder em preservação de registros.

A equipe do Ouimette está salvando memórias em todo o mundo — documentos históricos que podem ser a única testemunha da existência das pessoas registradas em suas páginas. É um pensamento aterrador que inestimáveis quantidades de registros — e a história deles — percam-se anualmente.

A equipe de Estratégia de Conteúdo Global do FamilySearch cria sua estratégia de registro ao estabelecer prioridades locais e identificar as coleções de registros com o maior valor genealógico. Priorizar as coleções de registros que devem ser preservadas em primeiro lugar — com base em quanto tempo os registros serão colocados à disposição — é de vital importância.

Escolhendo o que preservar

“Há sempre registros em risco”, disse Ouimette, “por isso os planos devem ser feitos”. Com mais de 200 países e principados no mundo, como você prioriza os registros para preservar primeiro? Esse é o desafio constante da equipe de estratégia global de registros do FamilySearch. Eles consideram muitas variáveis para desenvolver a estratégia de expansão do FamilySearch para preservar e dar acesso aos registros genealógicos históricos do mundo.

As cinco maiores ameaças para os registros históricos

Esses documentos insubstituíveis incluem nascimentos, batizados, casamentos, óbitos, imigração, militares, legais, censos, etc. Aqui está o que ameaça sua existência:

  1. Condições precárias de armazenamento de arquivos. Número excessivo de registros estão se deteriorando todos os dias devido a mofo, ferrugem, chuva, luz do sol e infestação de insetos.

Esta foto dos Arquivos Nacionais da República Democrática do Congo, em Kinshasa demonstra os maiores perigos que os documentos enfrentam, mesmo na era moderna.

No edifício de blocos de cimento onde estão guardados, os documentos empilhados ao acaso são banhados pela luz do sol e clima inadequado do telhado e da entrada. Nenhuma medida de proteção especial protege os registros.

“Quando um arquivista abriu um livro na sala, os cupins saíram correndo, tentando encontrar um buraco a fim de se esconderem”, Ouimette relatou ao visitar o local

      2. Instabilidade política. Ouimette e sua equipe visitaram arquivos em alguns países e ao retornarem anos mais tarde, descobriram que os arquivos haviam sido arrasados — totalmente destruídos.

“Quando há instabilidade e agitação política, desordeiros ateiam fogo a prédios do governo, e esses edifícios frequentemente guardam os melhores registros neles”, disse.

Uma foto de documentos carbonizados guardada em um arquivo em Sarajevo, na Bósnia-Herzegovina, mostra o dano que pode ser feito.

Um membro da equipe de Ouimette, uma vez, voltou a outro arquivo uns dois anos depois da rebelião e viu resíduos de fumaça que manchavam as paredes mesmo anos mais tarde.

    3. Destruição agendada. Registros do Arquivo Nacional de Gana, na África são destruídos propositadamente a cada década. “Como não se preocupam com os registros, acham que estão velhos e ocupam espaço”, Ouimette disse.

Os ganeses usam as estatísticas de censos de alistamento militar, que é uma avaliação de saúde da população, com base na mortalidade e a taxa de fertilidade, explicou.

Então depois de uma década, já retiradas as informações que sentem que precisam, descartam os originais sem levar em conta o valor genealógico a longo prazo dos registros.

“Eles são quase forçados a destruir esses registros, pois vão fazer outro censo e não têm espaço para [antigos] registros”, disse Ouimette.

Um exemplo de uma das maiores destruições de valiosos registros genealógicos, porém, ocorreu com os registros da Índia Britânica. “Realizaram censos nominais (um censo que dá o nome de cada pessoa da família), e como faziam na Inglaterra, destruíram os censos a cada década, não só na Índia, mas nos países vizinhos também”, Ouimette disse.

Quando o Império Britânico caiu e a Índia ganhou sua independência, continuou a mesma prática de destruição. A Índia agora digitaliza um bom material obtido em censos, mas pela lei, o censo não está disponível ao público e, eventualmente, será destruído.

“Não há nenhum pensamento a longo prazo sobre o valor histórico”, disse Ouimette. “Há mais preocupação sobre a privacidade hoje do que por ter um registro a longo prazo de pessoas daqui a 200 ou 300 anos”.

    4. Morte dos informantes genealógicos orais. Genealogia não é sempre guardada nos arquivos, também pode ser encontrada nas lembranças das pessoas. Em tribos africanas, é comum que um ancião da vila seja capaz de mencionar cinco gerações das tribos de memória, e alguns podem citar sete ou oito gerações. Conforme essas vilas africanas perdem população e os jovens se mudam para as cidades, às vezes ninguém está disponível para substituir os genealogistas orais.

“Quando esses anciãos morrem”, Ouimette observou: “é como se um arquivo fosse queimado por completo”.

Coletar, enquanto ainda há tempo, essas genealogias orais é vital. O FamilySearch visitou um ancião de uma tribo africana três ou quatro vezes e ele conseguiu citar todos os descendentes dos membros da tribo por gerações. A equipe decidiu voltar pela última vez para agradecer a ele.

“Quando nos aproximamos de seu lar, a família saiu e nos disse que ele morrera durante a noite. Disseram da gratidão que ele sentiu por poder transferir o trabalho de sua vida antes de falecer”, recorda-se Ouimette.

Em uma vila em Gana, onde representantes do FamilySearch reuniram-se com os anciãos da tribo, os africanos falaram sobre a necessidade de se preservar as genealogias orais porque os membros jovens da tribo que vão para as cidades não aprendem sobre sua herança.

“Os anciãos disseram: ‘Eles esqueceram de quem são. Essencialmente escrevemos o livro deles — o livro de sua família. O livro permite que as gerações mais novas se lembrem de quem são ao se voltarem para seus antepassados. Foi incrível ouvir aquele ancião da tribo fazer essa conexão”, refletiu Ouimette.

    5. Risco considerável de desastres naturais. Inundações, furacões, tufões, incêndios, terremotos, etc. são desastres naturais, que comprometem ou arruínam completamente registros históricos e genealógicos.

As Filipinas, por exemplo, enfrentam constante perigo de inundações. Ouimette disse que ele visitou uma vila onde as colunas de cimento estavam escurecidas por marcas de água bem altas – indicando a profundidade de inundações anteriores.

O arquivista da vila, cujo ofício era no segundo andar acima das marcas de água, lamentou o fato de que uma inundação em 1985 destruiu seus registros. Um arquivo central em Manila mantém regularmente uma segunda cópia de registros locais, porque eles frequentemente se deterioram devido ao uso excessivo. O arquivista recebeu uma bolsa de governo para fazer cópias de seus registros, no entanto, seu escritório na vila ficou sem dinheiro antes que a tarefa fosse concluída.

Um presente inestimável

Enquanto estavam nesse escritório de registros das Filipinas, os funcionários do FamilySearch conectaram-se ao site FamilySearch.org e encontraram online os registros que estão faltando no arquivo. A equipe do FamilySearch tinha microfilmado esses registros antes da inundação de 1985.

Ouimette descreveu a conversa que se seguiu: “[Nós] dissemos [ao arquivista]: ‘Sabia que há uma cópia de tudo o que você tinha antes da inundação’? Ele ficou muito surpreso. Muitos registradores o precederam, e com o passar do tempo, isso foi esquecido”.

Os funcionários do FamilySearch se ofereceram para dar ao registrador uma cópia dos registros. “Ele nos seguiu escada abaixo quando saímos, dizendo: ‘Vocês têm certeza? Estão dispostos a fazer isso por nós?’” Algumas semanas mais tarde, o FamilySearch enviou, de graça, um disco rígido com uma cópia dos registros que estavam faltando.

Como você pode ter acesso a registros preservados

Para realizar esse feito quase impossível de preservação de registros genealógicos do mundo inteiro, os voluntários do FamilySearch, prestadores de serviço, os funcionários e, às vezes, a equipe do arquivo operam até 330 câmeras em cerca de 50 países ao redor do mundo. Eles capturam até 40 milhões de imagens digitais de registros históricos por ano. Esses registros estão acessíveis no catálogo online do FamilySearch e em coleções de registros históricos. As imagens digitais contém de 3 a 4 bilhões de nomes de pessoas, que, quando indexados pela comunidade de voluntários online do FamilySearch, serão adicionados ao banco de dados online do FamilySearch de 6 bilhões nomes pesquisáveis.

Como você pode fazer a diferença

O FamilySearch está contando com a ajuda de pessoas nas comunidades selecionadas, para fazer o seguinte:

  • Descobrir informações sobre os registros. Visitar repositórios de destino e criar um inventário básico dos registros.
  • Conectar-se com pessoas-chave. Conectar-se com os administradores de registros e de outras pessoas-chave que podem influenciar ou conceder permissão para que o FamilySearch digitalize os registros.
  • Tirar fotos digitais dos registros. Operar os equipamentos digitais fornecidos pelo FamilySearch para tirar fotos de registros selecionados.

Para saber mais sobre oportunidades de ajudar, envie um e-mail para preservation@FamilySearch.org (pode-se então escrever a mensagem em português ou inglês). E se você está disposto e capacitado a ajudar e quiser contribuir financeiramente para a causa de preservação de registros em risco, em todo o mundo, visite www.familysearch.org/donate (site apenas no idioma inglês).

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